Como Simon Property Group e Brookfield Asset Management compraram a JCPenney por US$ 800 milhões

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A primeira loja J.C. Penney foi inaugurada em Kemmerer, Wyoming, em 1902. James Cash Penney e seus sócios lançaram a loja de produtos secos Golden Rule em 14 de abril daquele ano. Eles se expandiram rapidamente para outras cidades do Wyoming. Em 1907, Penney comprou seus sócios. Ele estava construindo um império de varejo que duraria um século.

Agora, a empresa está em uma posição precária. É propriedade de dois gigantes do setor imobiliário: Simon Property Group (SPG) e Brookfield Asset Management (BAM). Essa estrutura de propriedade muda tudo na forma como a JCPenney opera. Não é mais apenas um varejista. É locatária de shoppings de propriedade de seus proprietários.

Esta dinâmica explica por que a empresa sobreviveu à falência de 2020, enquanto muitas outras não.

De produtos secos a lojas de departamentos

A JCPenney foi constituída em 17 de janeiro de 1913. Chamava-se J. C. Penney Stores Company. Já existiam trinta e quatro lojas no oeste americano. No ano seguinte, a sede mudou para a cidade de Nova York. A empresa se tornou nacional.

Em 1929, a JCPenney tinha 1.392 lojas. As ações começaram a ser negociadas na Bolsa de Valores de Nova York naquele mesmo ano.

James Cash Penney aposentou-se em 1946. Ele manteve o título de presidente honorário. Sua influência conservadora permaneceu. Os funcionários não podiam usar tabaco ou bebidas alcoólicas. Esta cultura rigorosa definiu a marca durante décadas.

A empresa mudou seu modelo de vendas em 1958. Ela passou de cash-and-carry para armazenar cartões de crédito. Isso permitiu à JCPenney expandir seus produtos. Precisava competir com a Sears e a Montgomery Ward.

As vendas por correspondência começaram em 1962. A JCPenney adquiriu a General Merchandise Co. O primeiro Catálogo Penney foi lançado no ano seguinte.

Ambições Internacionais e Expansão das Farmácias

O final da década de 1960 viu a JCPenney olhar para o exterior. Adquiriu a Sarma, SA, uma cadeia retalhista belga. Entrou no mercado italiano em 1971. Essas lojas operavam sob o nome JCPenney, SpA. A empresa os vendeu em 1977.

A farmácia tornou-se um foco importante em 1969. JCPenney comprou a Thrift Drug, com sede em Pittsburgh. A expansão continuou por décadas.

Em 1996, a empresa adquiriu a Eckerd Drug Corp. Essa rede operava mais de 1.700 lojas em 23 estados. A JCPenney administrava então 2.800 farmácias de varejo.

A sede mudou para Plano, Texas, em 1988. A empresa transferiu 3.600 funcionários corporativos da cidade de Nova York. Ele está localizado perto de Dallas.

A expansão internacional atingiu o México e o Chile em 1995. A divisão de merchandising internacional foi encerrada em 2003.

O declínio começa

As vendas estagnaram à medida que o século 21 se aproximava. Lojas de descontos como Target e Walmart conquistaram participação de mercado. A crise financeira de 2007-2008 acelerou esta tendência.

A JCPenney tentou diversas estratégias para reanimar o negócio. Eles falharam principalmente.

Parcerias e marcas.
Em 2006, a JCPenney fez parceria com a Sephora. A marca de beleza abriu outlets em lojas selecionadas. A Sephora encerrou o contrato em 2020. Saiu totalmente da varejista.

Em 2008, a JCPenney lançou o American Living. O estilista Ralph Lauren desenvolveu a marca. A parceria durou até 2012.

Diversificação de produtos.
A empresa adicionou móveis domésticos da Linden Street. Lançou linhas de roupas para juniores e jovens.

Mudanças de canal.
A JCPenney reconheceu o aumento das compras online. Ele interrompeu as vendas por catálogo. A empresa também vendeu sua frota de Drogarias Eckerd em 2004.

Essas medidas visavam posicionar a JCPenney de forma competitiva. As vendas continuaram atrasadas. A presença online não conseguiu ganhar terreno.

Uma falha específica se destaca. Em 2012, a empresa tentou o “preço justo”. Eliminou descontos e promoções. As vendas despencaram.

O CEO Ron Johnson foi substituído. Myron Ullman assumiu. A JCPenney voltou ao seu antigo modelo de preços. Era tarde demais para salvar o ímpeto.

A falência de 2020

A pandemia da COVID-19 deu o golpe final. Os bloqueios em todo o país fecharam praticamente todas as lojas.

Em maio de 2020, a holding da JCPenney entrou com pedido de proteção contra falência, Capítulo 11. A empresa tinha dívidas de US$ 4 bilhões.

No seu auge em 1973, a JCPenney operava mais de 2.000 lojas. No momento da falência, a contagem havia caído para 846.

Reestruturação e nova propriedade

Durante a falência, a JCPenney fechou mais de 200 lojas. Reestruturou sua dívida.

No final de 2020, Simon Property Group e Brookfield Asset Management compraram a empresa por US$ 800 milhões.

Por que essas duas entidades compraram um varejista em dificuldades?

É um movimento estratégico. Tanto o SPG como o BAM possuem centenas de centros comerciais e centros comerciais nos EUA. O encerramento de um retalhista âncora deixaria estas propriedades vulneráveis. Manter a JCPenney aberta ajuda a estabilizar seus portfólios imobiliários.

Marc Rosen tornou-se CEO em 2021. Anteriormente, ocupou cargos executivos na Levi Strauss & Co.

Rosen começou a reformar lojas. O plano é gastar mais de US$ 1 bilhão até o final de 2025. O objetivo é manter vivas as lojas e o site de comércio eletrônico.

A origem da empresa remonta a uma única loja de produtos secos no Wyoming. Sobreviveu a guerras, recessões e revoluções no varejo. Mas a era da JCPenney como gigante independente acabou. Atualmente existe como locatário-chave nos shoppings que definem as compras americanas.

A questão que permanece é se a renovação de mil milhões de dólares poderá reverter o declínio. O cenário do varejo mudou. Os consumidores seguiram em frente.