Pornhub bloqueará novos usuários do Reino Unido devido à lei de verificação de idade ‘falha’

26

O Pornhub interromperá o acesso a novos usuários no Reino Unido a partir de 2 de fevereiro, citando a ineficácia das leis de verificação de idade recentemente implementadas no país. Esta medida segue-se à implementação da Lei de Segurança Online em Julho passado, que exigia verificações de identidade rigorosas – incluindo leituras faciais, carregamentos de identidade e verificação de cartão de crédito – para evitar que menores acedam a conteúdo adulto.

A empresa afirma que o seu tráfego no Reino Unido caiu 77% desde que a lei entrou em vigor, mas argumenta que o incumprimento generalizado entre outros sites adultos torna os regulamentos inúteis. Alex Kekesi, vice-presidente de marca e comunidade do Pornhub, afirmou que a empresa não pode mais participar de um “sistema falho”.

O problema central: aplicação inconsistente

A decisão do Pornhub destaca uma questão crítica com as atuais medidas de verificação de idade: se não forem aplicadas universalmente, elas não protegem os menores e penalizam as plataformas compatíveis. Uma demonstração de Solomon Friedman, vice-presidente de conformidade da Aylo (empresa controladora do Pornhub), revelou que seis em cada dez resultados de pesquisa do Google para “pornografia gratuita” no Reino Unido ainda ignoram essas leis.

A empresa instou os gigantes da tecnologia – Apple, Google e Microsoft – a adotarem a verificação de idade baseada em dispositivos, armazenando dados do usuário em dispositivos pessoais em vez de sites de terceiros. No entanto, estas empresas não responderam, deixando os reguladores sem uma solução viável.

Implicações mais amplas: a futilidade das regulamentações atuais

A saída do Pornhub do mercado do Reino Unido não é um evento isolado. A empresa já saiu da maioria dos estados dos EUA com leis de verificação de idade semelhantes, enquanto os EUA continuam a ser a sua principal fonte de tráfego devido à fácil evasão através de VPNs. Isto sugere que os regulamentos atuais são facilmente contornados e que são necessárias mudanças sistémicas mais amplas para proteger eficazmente os menores online.

A situação vai além da pornografia. O conteúdo explícito também prolifera em plataformas como X, onde chatbots de IA, como Grok, estão sendo usados ​​para gerar imagens sexuais não consensuais. Os reguladores não têm as ferramentas para resolver esta questão, uma vez que o Imagens do Google já armazena em cache conteúdo explícito e as leis atuais não conseguem resolver o problema.

O caminho a seguir: verificação baseada em dispositivo

Para ter sucesso, são necessárias medidas mais rigorosas, incluindo verificação de idade baseada em dispositivos em todos os sistemas operacionais. Isto exigiria que os gigantes da tecnologia assumissem a responsabilidade de verificar a idade dos utilizadores ao nível do dispositivo, em vez de depender de websites individuais para aplicar leis ineficazes.

Sem uma abordagem unificada, a verificação da idade continuará a ser uma colcha de retalhos de restrições que não protegem os menores, ao mesmo tempo que penalizam as empresas legítimas. O sistema actual é insustentável e são necessárias medidas mais drásticas para resolver o problema de forma eficaz.