Supõe-se que os megaeventos sejam unificadores. A Copa do Mundo FIFA. Turnês musicais globais. Eles trazem dinheiro, acendem a cultura. Mas há uma sombra pairando sobre as luzes do estádio. Enormes quantidades de gases de efeito estufa.
Um novo artigo da Universidade de Cambridge muda a forma como olhamos para o placar. Eles publicaram uma estrutura em Sustentabilidade nas Comunicações. Mede a “viabilidade climática”. O resultado? As viagens dos fãs são o assassino. É responsável por cerca de 80% das emissões totais do torneio.
Por que as emissões das viagens dos torcedores da Copa do Mundo de 2026 são mais importantes do que os locais
O estudo analisou dois eventos massivos. A Copa do Mundo FIFA de 2026 (que se expandiu para 48 times) e a turnê europeia de 2026 do Coldplay. O objetivo era pesar o bem-estar do consumidor em relação ao custo do carbono.
Shaun Larcom, professor de Cambridge envolvido na pesquisa, lançou uma bomba contundente da verdade. Reduzir as emissões nos locais é apenas uma gota no oceano. A verdadeira pegada é como as pessoas chegam lá.
Os números são surpreendentes. A expansão para 48 equipes acrescenta cerca de 590 mil toneladas de emissões. Isso coloca o total em torno de 4,23 milhões de toneladas métricas. Para colocar isto em perspectiva: isso é igual a todas as emissões anuais da Islândia.
E aqui está o detalhamento que dá a notícia.
- Viagens de fãs: 82% do total de emissões.
- Viagens internacionais: Cerca de 3,07 milhões de toneladas desse total.
Se você obrigasse os fãs a pagar o custo climático direto da viagem? Isso acrescentaria US$ 114 extras ao preço médio dos ingressos para os jogos. Ai.
Turnê do Coldplay prova que mudança comportamental supera atualizações de locais
Agora, vamos dar uma olhada nas estrelas do rock. Jogo frio.
A turnê europeia de 2024 atingiu 10 cidades. 32 shows. 1,9 milhão de ingressos. O custo climático sem mitigação? Apenas $ 11 por ingresso. Por que a diferença? Distância. A maioria dos fãs voou de curta distância ou dirigiu. As distâncias não eram como a expansão global da Copa do Mundo.
Mas aqui está a parte interessante. Coldplay apostou tudo na energia verde. Sistemas de baterias móveis. Energia solar. Uma pista de dança cinética que gera energia quando você se move.
Funcionou. Mais ou menos.
Os investigadores descobriram que 98% da poupança de emissões não provinha das baterias. Veio dos fãs.
A banda lançou um aplicativo. Permitiu que os fãs comparassem opções de transporte com baixo teor de carbono. Eles até ofereceram descontos em mercadorias para viajantes ecologicamente corretos. O resultado? As emissões provenientes das viagens dos fãs caíram 48%. As emissões totais do passeio foram reduzidas quase pela metade em comparação com um passeio padrão.
“Estratégias climáticas eficazes para megaeventos como a Copa do Mundo vão muito além da redução das emissões operacionais nos locais.”
A tecnologia ajuda. Mas as pessoas decidem se aparecem com uma mentalidade de baixo carbono.
A compensação econômica: a Copa do Mundo vale o custo do carbono?
Os investigadores de Cambridge propõem um modelo económico em duas fases.
- Avalie os benefícios. Compare o dinheiro ganho (lucro do organizador + valor do espectador) com o custo monetário das emissões.
- Compartilhe o fardo. Se o custo climático for maior que o benefício, cancele-o. Redesenhe-o. Se permanecer ligado, o organizador cuida das emissões diretas (estádios, palcos). Mas as emissões indiretas (seu voo)? Você paga. Nós nos separamos.
Quando eles calcularam os números da Copa do Mundo? Os benefícios ainda superaram os custos. Por muito pouco.
Mas depende de como você avalia o planeta. Se utilizarmos um elevado “custo social do carbono” – o valor em dólares dos danos causados por uma tonelada de CO2 – a equação inverte-se. Então, a Copa do Mundo poderá não ser economicamente viável.
Jackson Goldman, um co-autor, coloca isso claramente.
“Os grandes eventos de entretenimento estão provavelmente a produzir um bem-estar mais do que suficiente para compensar as suas emissões.”
Nós temos o valor. Só não estamos contabilizando os danos ainda.
Conclusão: os organizadores não conseguem resolver isso sozinhos
O quadro nos mostra algo desconfortável. Podemos comprar estágios movidos a energia solar. Podemos construir estádios eficientes. Mas se um milhão de pessoas atravessam continentes para assistir a um jogo, o relógio de carbono continua a contar.
Para o Coldplay, a solução foi comportamental. Para a Copa do Mundo? É mais difícil. As distâncias são muito longas. Os fãs são muito numerosos.
O estudo sugere que organizadores e torcedores precisam assumir responsabilidades juntos. Não apenas os planejadores de eventos no camarote VIP. Os fãs segurando o ingresso.
Até começarmos a cobrar aos fãs pelas emissões dos voos, ou a tornar as viagens com baixas emissões de carbono a opção padrão para grandes eventos, o painel de avaliação continuará a mostrar um pesado défice ambiental.
A expansão para 48 equipes tornou o torneio maior. Isso aumentou a pegada de carbono. A questão não é apenas se o mundo quer ver a final. É se podemos pagar a viagem até lá.






















